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sábado, 4 de julho de 2015

Sobre os Infernos Astrais




Há quem não acredite em Inferno Astral e existem ainda aqueles que não sabem o que é. Para essas pessoas eu só posso dizer 1 coisa: não se aproximem de mim de meados de maio até o final de julho...


O Inferno Astral é aquela época até 2 meses antes do seu aniversário em que o Diabo sai pessoalmente do Inferno e passa a morar na sua residência, na sua vida, acabando com seu astral pra fazer qualquer coisa. Acho que ele fica entediado e sobe pra colocar o papo em dia, sei lá. É a fase da sua vida em que se tudo está dando certo, se você está feliz, calma, porque tudo que é bom dura pouco e se durar muito, não vai conseguir atravessar essa fase.




Algumas pessoas acreditam que o local do seu nascimento, a hora, o dia, tudo influencia na sua personalidade. Eu sou uma dessas pessoas, eu acredito que a posição dos astros na hora do nascimento tem influência na vida das pessoas. Mas com o passar dos anos eu acabei percebendo que quando eu nasci, os astros deviam estar bêbados...


Eu adoro fazer aniversário! Não me importo de estar ficando velha ou essas frescuras que as mulheres inventam pra sofrer. O que eu mais gosto nos aniversários é que eles colocam um fim ao meu Inferno Astral. Mas como toda pessoa normal que se preze, eu odeio o momento do “Parabéns”, aliás, a pessoa pode ter 150 anos, na hora em que começa o “Parabéns pra você” a vergonha toma conta dela como se estivesse correndo pelada no meio da Praça da Sé! Acho que é uma tradição que deveria ser seguida só até os 7 anos de idade, que é quando a criança já começa a passar vergonha com os coleguinhas.






Voltando aos meses que antecedem meus aniversários... Não preciso nem falar que as coisas são um pouco mais difíceis pra mim do que para a maioria das pessoas... partindo desse pressuposto, imaginar que o caos se instala na minha vida a cada ano, não seria uma novidade muito grande. Mas nos últimos anos, Murphy tem estado de parabéns!


Existe um ciclo maligno que permeia o céu a cada 29 anos mais ou menos, que é quando Saturno volta para a posição inicial  no seu mapa Astral e traz uma série de desafios. Sendo o planeta da maturidade, quando Saturno volta pra sua vida ele traz desafios que te fazem crescer, ou deveriam... como desgraça pouca é bobagem, Saturno resolveu entrar na minha vida aos 27 que é pra aproveitar mais o tempo comigo e está festejando às minhas custas até hoje, esse fanfarrão!




Como eu já disse, minha família nunca foi muito abastada, mas chegando perto do meu aniversário a pobreza se abate sobre nós como as pragas do Egito! De uma forma impressionante as coisas vão ficando mais difíceis, mais demoradas e culminam com uma pobreza de dar inveja ao Seu Madruga! Não falha nunca!




 Mas de 2012 pra cá, as coisas começaram a piorar! Deve ser a alguma maldição Maia por não ter acabado o mundo no ano previsto ou então Deus resolveu que eu já vivi todos os momentos de alegria que tinha pra viver (aham) e resolveu besuntar os cones com cerol para que eu pudesse sentar a cada ano nas comemorações que antecedem a santa data do meu nascimento.


O ano de 2012 foi difícil para toda a minha família, porque minha avó foi diagnosticada com Câncer de Mama e precisou ser submetida a uma mastectomia. A cirurgia aconteceu em junho e saindo do hospital fui morar com a minha veinha pra ajudar no pós operatório e acompanhar o tratamento. Não precisa nem dizer que não é fácil pra ninguém ver uma pessoa amada passando por momentos tão difíceis. Mas conseguimos superar tudo e hoje ela está ótima!



Não foi um ano particularmente fácil 2012, e o Inferno Astral chegou com tudo! Tinha me formado e não conseguia emprego, minha avó estava doente, estava morando na casa dela e eu odeio com todas as forças que habitam o meu ser dormir em qualquer lugar que não seja a minha cama, mas depois as coisas foram se ajeitando...


Então chegaram os tão temidos 29... Ah, meus 29 anos!!! Me lembro como se fosse ontem!!! Dessa vez a coisa foi bem interessante!!! Estávamos procurando casa para mudar depois de 12 longos anos morando no odiado apartamento e encontramos uma casa maravilhosa!!!! Que alegria!!! Demos entrada nos papéis, avisamos na imobiliária que deixaríamos o apartamento e demos entrada nos papéis para entrega do imóvel! Tudo certinho! Mas... no dia de assinar o contrato de locação da casa, eis que o proprietário resolve que não quer mais locar o imóvel! Mas que C$#@!¨&





E como faz? Quando você tem data pra entregar a casa em que mora e não tem casa pra ir? E dá-lhe procurar casa de novo! Por fim encontramos a casa perfeita!!! Que maravilha! Era como a realização de um sonho. Sabe quando você entra em um lugar e tem certeza que quer passar o resto da sua vida ali? Essa é a minha casa!


O dia era 29 de maio de 2013... o dia em que oficialmente tínhamos a casa dos nossos sonhos!!! A alegria era tanta que nada poderia abalar nosso espírito! Ou quase nada...




Como já lhes contei, com a casa nova veio Pernilongo... mas não é só isso. Porque a caseira estava internada no hospital quando nos mudamos e tinham mais 5 cachorros e 2 gatos que não conhecíamos morando na casa e tínhamos que cuidar de todos eles. Sem problemas! Adicione a isso mais um gato, dois cachorro, uma calopsita, duas tartarugas e um papagaio. Tranquilo né?





Mas quando você está feliz, nada pode te abalar... então iniciou-se o Apocalipse Animal. Os cachorros formaram bandos diferentes. Sendo que as duas cachorras mais velhas da caseira, Lassie e Branca,  batiam nos outros. Os cachorros mais novos, Fredy e Princesa, roubavam o lixo da vizinhança toda e traziam para casa para espalhar pelo quintal, Pink, a outra cachorra da casa não podia sair da casa da caseira, porque brigava com todo mundo, Pernilongo caçava tudo que se movia na represa e o Átila ficava de cara feia para qualquer criatura que cruzasse o caminho dele e não queria sair no quintal para não molhar os pés... Nesse meio tempo, tínhamos um gato de 11 anos, Amon-Ra, e os dois gatos da caseira que não podiam se encontrar, mesmo por que um dos gatos estava claramente doente com Complexo Respiratório felino e muita verminose...


Como os gatos ficam estressados com mudanças, o Amon foi o último a se mudar para a casa nova, ficando no apartamento um dia a mais junto com o Bartô, o papagaio, e Charlie, a calopsita, para que não fugisse no meio da mudança. E o estresse de ficar sozinho um dia quase matou meu gordo.


Todos já instalados na casa nova percebi que o Amon não queria comer, passados 2 dias sem comer, fiquei com medo de Lipidose Hepática devido ao jejum e o levei a um vetcolega para fazer exames e eis que a surpresa se apresentou na forma de uma Insuficiência Renal Aguda que elevou a Creatinina do gordo do valor normal até 1,6 para 20 e sua Uréia para quase 600... Sabe quando você recebe uma notícia e engole o choro pra não fazer vergonha? Essa era eu na clínica quando peguei o resultado dos exames.




Iniciou-se então a fluidoterapia todos os dias na clínica, muita medicação pra vômito, protetor gástrico, ômega 3 e o escambau e a pobreza que já se abate normalmente sobre nós nessa época foi agravada com uma conta de quase 2 mil reais de veterinário, mas felizmente nosso gordo se salvou e sua Uréia e Creatinina voltaram aos valores normais! Maravilha, né???


Nesse meio tempo iniciou-se então a dinâmica dos canis. São três canis na casa e o rodízio começou com cães presos pela manhã, outros à tarde e alguns à noite para que não houvesse brigas. Tudo estava evoluindo bem e minha mãe e eu íamos trabalhar todos os dias e voltávamos para casa por volta das 23h30. Quando chegávamos em casa iniciava-se então o inferno de prender os cachorros para colocar o carro para dentro e a latição de 7 cachorros anunciando a nossa chegada era ensurdecedora.


Certo dia, chegando em casa notei que o Átila não estava latindo junto com os outros... colocamos o carro para dentro e fui procurar meu baixinho, mas ele não estava em casa... Neste dia descobrimos que a cerca que circunda a casa estava quebrada e os cachorros tinham livre acesso à rua e, um cachorro que foi criado em apartamento por 8 anos realmente não sabe andar na rua.




Não desejo a ninguém o desespero de perder alguém que ama e não ter idéia se está vivo, morto, se está bem, se está passando frio, fome ou qualquer dificuldade. E eu procurei o meu baixinho... não conseguia dormir pensando em como ele estava, levantava cedo e saía  chamando ele na rua e falando com todos os vizinhos perguntando, e nada... 90% das pessoas com quem falei afirmaram ver o Átila na rua, brincaram com ele, disseram que ele era muito simpático e que depois ele sumiu...


Espalhei cartazes por todos os lugares, saía perguntando por ele nas casas, peguei o carro e fui ao centro perto de casa distribuir cartazes em todos os lugares e uma semana depois, estávamos ainda no apartamento terminando de limpar para entregar o imóvel, recebo uma ligação informando que o baixinho estava bem e que poderia ir busca-lo.


Poucas vezes na minha vida eu senti um alívio e uma felicidade tão grandes quanto ao receber aquela ligação. Minha mãe foi busca-lo imediatamente para levarmos o sem vergonha para casa.




Estávamos felizes novamente! Que beleza quando as coisas estão dando certo! Minhas tartarugas, Pietra e Lilica, estavam comigo há 12 anos e eram tartarugas aquáticas que estavam sem aquário mas nadavam todos os dias na piscina. Com a quantidade de cachorros desconhecidos na casa, não deixava minhas meninas saírem no quintal, mas a caseira se mudou e levou os cachorros, então elas podiam passear. Como aqui em casa tem muito mato, eu soltava as duas e ficava olhando para que não sumissem e, um belo dia, tive a brilhante ideia de deixar que elas ficassem no canil e arrumei pra elas um lugar com água, a comida e bastante espaço pra andarem e tomar sol...



Sabe aquele momento em que você acha que teve uma idéia brilhante? Pois é... qual não foi minha surpresa quando descobri que as duas, vejam bem, as DUAS tartarugas conseguiram me enganar e fugiram do canil... Sim meus amigos, eu consegui perder 2 tartarugas...




Passadas 3 semanas na agonia de procurar as meninas e já dando como perdidas, porque, afinal de contas, quem ia preferir viver em uma piscina podendo nadar na Guarapiranga? Uma bela manhã eu acordo e quem havia voltado para casa???? Pietra! Minha menina voltou pra casa! Que alegria!!! Eu nunca mais a deixaria no canil, agora só ia sair com supervisão e voltar pra dentro de casa para dormir.


Com o tempo você vai se esquecendo o porquê das suas regras e vai afrouxando as rédeas e, num belo dia de sol em que estávamos felizes nadando na piscina e dona Pietra estava conosco tomando sol, entramos para tomar banho e deixei minha menina ficar um pouco mais lá fora... cerca de 20 minutos depois, saí para cobrir as gaiolas dos passarinhos e colocar a Pietra pra dentro e... ela já havia sumido...


Sim! Eu consegui perder a mesma tartaruga 2 vezes!!! Não havia a menor possibilidade de uma tartaruga sair da piscina, descer um lance de escadas e fugir de casa em 20 minutos! Mas não contávamos com a presença de Pernilongo... Sim, Pernilongo sequestrou a Pietra e comeu minha bichinha no meio do mato e a única coisa que minha avó encontrou foi o casco dela todo mastigado de cachorro...




Acho que não se pode culpar os astros pela sua burrice mas é realmente difícil quando a bosta vem toda junta, sua mente fica confusa! Mas eu sobrevivi e os outros animais também!


No ano de 2014, apesar da pobreza, não houve muitos contratempos além do medo de perder nossa casa que acabou se resolvendo sem muitos problemas apesar de um ataque de estresse absurdo, mas esse ano já está prometendo... Meu Inferno Astral deu início aos trabalhos em Maio levando embora meu Bartô...


Estava de plantão no hospital e minha mãe me liga falando que o papagaio estava no fundo da gaiola passando mal, sem respirar direito. Às vezes eu acho que ignorância deve ser uma benção, porque quando eu ouvi aquilo eu já sabia que não daria tempo de ajudá-lo. Mas a adrenalina tomou conta de mim numa ânsia de resolver aquele problema o mais rápido possível. O hospital fica a 10 km da minha casa, e eu peguei o carro e corri o mais rápido que pude, liguei pra veterinária que cuida de aves no caminho e quando cheguei no portão de casa, ele morreu...




É muito duro você passar o dia ajudando os animais das outras pessoas e não poder fazer nada pelo seu amigo de 20 anos que cresceu com você... não poder ajudar aquele que acordava todos os dias e gritava “Carol” quando ouvia minha voz até eu ir até a gaiola e falar “Bom dia, Bartolito”...



Mas é o ciclo da vida, existem coisas que não podemos mudar... Vamos levando a vida como podemos. Então, quando você acha que as coisas não podem piorar, você toma um pé na bunda! Vá pra PQP todo mundo!!!! Chega logo, 26!!! Chega logo, porque não sei se eu chego lá com você!




quarta-feira, 3 de junho de 2015

A Origem - Colomba




            Todo mundo tem aquela pessoa que é uma inspiração para a vida. Para mim essa pessoa é minha mãe. Ela é a pessoa mais paciente, bem humorada, intuitiva, otimista, companheira, amiga, sábia, esquecida, atrapalhada e completamente passada que eu conheço.


            Vou lhes contar pequenas passagens da vida de Dona Colomba para que entendam a origem do mal como: matricular o filho 2 vezes na mesma série, entrar 5 vezes na mesma rua fazendo voltas infinitas para encontrar um caminho, pegar um ônibus errado e só perceber que estava errado quando chega ao ponto final, porque afinal de contas, o caminho não conta...



            Como eu disse, minha mãe é uma pessoa extremamente otimista, mas acredito que seu otimismo se deva, principalmente, à sua falta de memória. Ela sempre acha que as coisas vão dar certo, porque ela nem se lembra quantas vezes elas já deram errado, então no final, ela está certa, porque uma hora as coisas se ajeitam, e não importa se passaram 2 dias ou 2 anos...



            Existem pequenos detalhes na vida da Colomba que a fazem um ser único! Tenho algumas histórias para compartilhar (todas devidamente autorizadas rs) que vão elucidar um pouco mais acerca da personalidade dessa pessoa tão singular.


            Minha mãe é uma pessoa que acredita em muitas coisas, mas muitas mesmo! Como ela mesma diz, me diga uma coisa que não existe... Se você não tem um nome para uma coisa que não existe é por que todas as coisas que têm nomes existem, mesmo que seja na imaginação das pessoas! Isso inclui o Papai Noel, o Coelho da Páscoa, os duendes, os extraterrestres e os intraterrenos... isso inclui divindades das mais variadas.




São tantas influências de tantas culturas diferentes que posso considerá-la como uma pessoa politeísta apesar de uma rígida formação católica, dona Colomba adora Ganesha, Shiva, os Elementais da Floresta, a Grande Deusa, Buda, Sai Baba, bate cabeça pra Preto Velho, Exu,  tem sua Cigana vermelha, a grande Fraternidade Branca, faz suas aulas de Kaballah, basicamente, se houver algo para acreditar, ela estará la com sua fé! Mas a grande paixão da minha bichinha sempre foi o Mestre Paramahansa Yogananda. Ah, Yogananda!





Nos idos dos anos 90, Colomba descobriu uma comunidade que se propunha a disseminar pelo Ocidente os ensinamentos do Mestre e rapidamente ficou fascinada com a possibilidade de fazer parte da mesma. Naquela época não havia internet, e as coisas andavam num ritmo mais lento. Saberá Jesus como a informação chegou até ela, mas chegou, e para receber os ensinamentos, deveria enviar uma carta para a sede da Organização que ficava nos Estados Unidos.


Pois assim seria! Ela escreveu sua carta com todas as perguntas acerca dos procedimentos para se filiar, as dúvidas mais profundas do seu ser, colocou no correio e foi para casa ansiosa aguardando a resposta...


No dia seguinte, que maravilhosa surpresa! Uma carta havia chegado! E vinha dos Estados Unidos!!! Mas que correio mais eficiente esse, só pode ser coisa de americano... Um pouco trêmula devido à ansiedade de receber a tão esperada resposta, Colomba abriu o envelope com tanta pressa que não reparou que a letra no envelope, vejam bem, era sua... Sim meus amigos, era a mesma carta, porque a bichinha simplesmente trocou o remetente pelo destinatário e enviou uma carta para si mesma!



Todos estamos sujeitos a cometer esse tipo de erro, mas o que mais me impressiona nesse caso, é o fato de ela não reconhecer a própria carta que foi escrita no dia anterior e ainda se decepcionar pela falta de resposta às suas dúvidas.


Colomba é o tipo de pessoa que te conta uma história que você acabou de contar pra ela dizendo que fulano disse que aquilo aconteceu, ou como se ela tivesse lido ou escutado em algum lugar com um entusiasmo de quem conta a maior novidade do mundo.


Outro clássico proveniente da total falta de memória da bichinha ocorreu no final da década de 80 com uma ida ao supermercado... vocês sabem como é confuso estacionar o carro em mercados e shoppings. No shopping ainda tem a numeração, os pisos, as letras, todo aquele inferno para que você possa se lembrar de onde deixou o carro, mas no mercado não... você para seu carro e que o Senhor guie os seus passos para encontrá-lo novamente... acredito que Deus devia estar ocupado naquele dia e não iluminou aquela mente...


Colomba foi ao mercado e fez suas compras... naquela época tínhamos um Karmann ghia conversível vermelho charmosíssimo e um tanto diferente para ser perdido... saindo do mercado, iniciou a busca pelo vermelhinho... mas ele não estava lá! Não! Ele não estava lá! Alguém roubou o carro!!!




Rapidamente, Colomba foi procurar o segurança do mercado e informar sobre o ocorrido. Muito prestativo, o segurança foi procurar o carro com ela e os dois passaram um bom tempo levando as compras para passear, mas não havia jeito, o carro havia sido roubado. As horas foram se passando e o mercado acabou fechando... o estacionamento já estava vazio e nada do Karmann ghia aparecer. Que perda lastimável! Ela tinha estacionado bem naquele lugar!!!


Após várias voltas no estacionamento que se mostravam sempre infrutíferas, o segurança resolveu ir até o outro estacionamento para ver se havia algum sinal do vermelhinho, mesmo sabendo que ela não havia estacionado ali, só por via das dúvidas... e quem estava no outro estacionamento do outro lado do mercado???


- Uai! Menino, como você veio parar aqui? A gente não tinha parado do outro lado???





A memória da bichinha é tão prodigiosa que por várias vezes ela tem que voltar ao mesmo cômodo para fazer a mesma tarefa que ela nem se lembrava que estava executando. Mas a suprema distração foi alcançada no ano passado, 2014, na comemoração do Dia das Mães.


O Dia das Mães é um dia muito especial para nossa família e gostamos de mimar a bichinha. Nessa ocasião específica, levamos a bichinha para a Novilho de Prata para jantar. Ah que alegria! Chegamos à churrascaria, descemos do carro, e no momento que olhamos para a bichinha em todo o seu esplendor de mãe, percebemos que a doida tinha saído de casa sem a calça...




Ela colocou a meia calça calçou o sapato e foi embora! E essa não foi a única vez! Esse episódio já havia acontecido anteriormente quando ela foi trabalhar sem calça, pegou ônibus e tudo! Se alguém conhece uma pessoa com menos de 90 anos e não portadora do Mal de Alzheimer que sai sem calça, por favor me apresente, quem sabe minha bichinha arruma uma amiguinha...


Dinheiro em casa sempre foi problema, e certa vez fomos participar de um Bazar. Colocamos todas as coisas no carro animadíssimas com as vendas e lá fomos nós! Chegando ao lugar do Bazar, tínhamos que descarregar o carro e assim fizemos, ou faríamos, porque no momento em que descemos do carro para verificar se era aquele mesmo o lugar, Colomba trancou a chave do carro dentro do carro...


Quando você está sem dinheiro, tudo é uma merda e tivemos que gastar o pouco que tínhamos para chamar o chaveiro para abrir a porta para que pudéssemos trabalhar. Ok, problema resolvido! Vamos arrasar de vender!




Terminado o Bazar fomos levar as coisas para o carro, enchemos o carro e fomos nos despedir das pessoas que participaram do Bazar conosco. Ah, que maravilha! Vamos agora para casa, estamos exaustas! E ahhhh, que surpresa!!! Colomba trancou a chave dentro do carro DE NOVO!!! Oh Senhor me leve agora!


            A bichinha é muito especial para todos nós, mas acho que é isso que se pode esperar de uma pessoa que tropeça num Anão no meio da Praça da Sé e ainda briga com o Anão por “estar aí embaixo atrapalhando as pessoas”.




            Acho que essa é a origem da minha zica, porque o Azar vem dela, é que ela não presta atenção o suficiente, e ele, perdendo a paciência, pula na minha vida! Te amo, mãe, e obrigada por me proporcionar experiências únicas!



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ode a um Amigo



Na expectativa de uma promessa
Nossa história assim começa
- Seu presente mais útil, esse é o critério!
As palavras povoaram minha mente
Sem saber o que pensar, mas simplesmente,
Ansiosa pra acabar com o mistério.

 - O que é? Responda-me de uma vez!
 - O que é? Pare já com a insensatez!
De não falar sobre o presente esperado
 - O que é? Não me deixe no escuro!
- O que é? Ou me diz de uma vez o que procuro
Ou ao inferno para sempre está fadado!

Vão-se os dias, as semanas, vai-se o mês
Já perdendo de vez a lucidez
Em virtude da enorme ansiedade
Tenha foco, criatura!
Concentre-se na aula e na leitura
Cedo ou tarde já acaba essa maldade!

Ai que o Tempo é amigo se veloz
No vazio e no escuro é algoz
Que alquebra pensamento e vontade
Passa o tempo, passa, passa assim ligeiro
Traz pra mim o meu presente verdadeiro
Minha paz abandonada, na verdade.

Finalmente chega o grande, grande Dia!
E em mim já não cabia a alegria
E o alívio em pôr fim ao sofrimento
Meu presente! O que será? Eu quero ver!
E a surpresa tomou conta do meu ser
Que ao vê-lo me fugiu o pensamento...

- É um carro? É meu carro? Diz que sim!
Alegria que invade e não tem fim
 - É seu carro, pode entrar, fique à vontade
Ai que sonho azulzinho e tão lindo
Ah querida, não consegue nem sonhar com que está vindo
É amor, é paixão, felicidade!



Nesse dia eu ganhei um companheiro, sim! Um amigo para todas as horas que me levava aonde eu queria!!! Meu querido Escort Azul, meu querido Josys (sim, esse era o nome dele) passou 5 longos anos ao meu lado dos quais acredito que ¼ do tempo tenhamos passado na oficina, sempre juntos.


Eu estava no quarto ano da faculdade quando ele entrou na minha vida, e como eu já disse, o transporte em Botucatu é simplesmente patético! Eu amava aquele carro com todas as minhas forças! Nada como a liberdade de você poder sentar a sua bunda no carro a qualquer hora do dia ou da noite e não ter que se preocupar com a hora de voltar, se o maldito do ônibus vai estar cheio, se você tem carona para ir pra casa... simplesmente você entra e aproveita.




E dirigir? Eu amo dirigir! As pessoas podem não amar estar comigo dentro do carro, porque eu adoro dirigir sozinha, numa rua deserta e sem idiotas a minha volta! Sim eu sou como o Pateta no trânsito, eu reclamo, eu xingo, eu amaldiçoo, mas tudo dentro da educação e privacidade de meu próprio veículo, porque não tem nada mais deselegante que a pessoa colocar a cabeça para fora da janela e gritar pra outra! Sejamos loucos, mas tenhamos classe!


Os meses foram se passando e eu sempre na companhia do meu amigo, me formei, voltei com meu Josys para casa até que um belo dia logo após nossa mudança de casa, minha mãe e eu estávamos voltando para casa à noite após o trabalho e eis que Satanás se apresentou a nós na forma de uma lombada não sinalizada que foi ultrapassada a toda velocidade...



Sabe aquelas cenas no cinema quando o carro passa voando pelo obstáculo e cai ileso no chão continuando a perseguição? Não é assim que acontece! Você toma um susto desgraçado, bate a cabeça no teto do carro e quando ele bate no chão, você não tem certeza nem se as rodas continuam no lugar... sim elas continuavam no lugar, mas só elas!!!!

Nosso escapamento caiu, o câmbio soltou, a roda entortou e você acha que o Josys nos deixou na mão? Nananinanão! Chegamos em casa! E no dia seguinte, chegamos no mecânico! E aqui se inicia uma história de amor que me rendeu 4 meses de tardes infindáveis sentada dentro do carro com um mecânico que só faltava fazer a dança do acasalamento em volta do carro e uma conta de 10 mil reais num carro que não valia 2...



Agora vou explicitar a vocês tudo o que aprendi sobre carros nesses longos meses: os carros são constituídos de pequenos pedaços do inferno interligados de tal forma que o demônio tem a liberdade de ir e vir em todas as peças e quebrar a que melhor lhe aprouver na hora.


É mais ou menos assim: você está andando feliz com seu carro, então a caixa da direção hidráulica quebra, você vai la e conserta, aí não é bem isso, porque a bomba da direção também está quebrada e você paga para consertar as duas e nenhuma delas é consertada, assim todos os dias em que você vai sair de casa precisa fazer um esforço hercúleo para mover o volante para conseguir chegar ao posto de gasolina e comprar o óleo de direção, e eventualmente, o cabo da direção arrebenta...


Tudo bem, vocês estão indo bem e todos os dias você volta pra casa com seu carro. Então um dia você está andando na Radial Leste, sente um pequeno tranco e eis que suas marchas não trocam mais... Tudo bem, vamos ver o que é! Lá se foi meu coxim de câmbio! Vamos trocar. Você troca ele toda confiante de que o problema foi solucionado, ótimo! Vai pra casa e no dia seguinte está andando toda bonitona e eis que o familiar tranco te pega de novo... e por que? Porque pasmem, o carro tem 2! Aí você tem que trocar o outro! Tudo bem! Você vai ficar bem, Josys!


Então se iniciam os vazamentos. A quantidade de óleo que pode vazar de um carro é mais ou menos a quantidade de água que existe no oceano. E os vazamentos vêm de todos os lugares. Você estaciona o carro, e na hora de sair confere pra ver se todas as suas pocinhas de óleo estão em ordem. Ai de mim se uma delas não estiver vazando o suficiente!


Então você vai resolver esse problema! Por favor, tire o vazamento. Ok. Pra isso precisaremos passar o seu carro pelo moedor e depois remontar cada parte. Combinado! Vamos consertar o carter. Ahhhh, que pena não é só isso, você precisa trocar agora os coxins do motor, porque o seu motor está pulando.. Ahhhh, mas não é só isso, vamos ter que fazer o cabeçote... Ahhh, mas veja bem! Vamos aproveitar e arrumar de novo a direção hidráulica, vamos trocar o painel, vamos arrumar a parte elétrica, você precisa trocar o cebolão, o farol, as velas, os cabos de vela, a bomba d’água e o reservatório da água, por que, nossa, ele acaba de estourar! Você já viu como está velha essa coreia dentada? E o esticador? Vamos trocar também, porque já está ficando perigoso! Seus pneus estão ruins! Vamos trocar também!


Ok, vamos fazer tudo!!!! O carro vai ficar novinho! E assim eu passava minhas tardes! Sentada no carro, conversando com os mecânicos, sendo enganada e perdendo dinheiro! Estávamos evoluindo bem!


Chegou o grande dia! O dia em que veríamos se tudo estava no lugar! O dia da lavagem do motor para comprovar que não haviam mais vazamentos!!!! Ai que emoção! Me dirigi ao lavador de motores até um pouco trêmula após passar por todo esse processo para ver o resultado!!!


 - Pode lavar tudo, moço! Lava dentro, fora, o motor, embaixo, tudo! Tira a zica e leva embora!


E assim se iniciou a lavagem completa do Josys! Que beleza! Ele nunca ficou tão limpinho!!! Ótimo, liga o carro e pode ir embora!


Liguei o carro, engatei a primeira, o carro estava ótimo, desci a calçada para entrar na rua dando seta e, eis que... o carro não tinha freio... Só o freio de mão para parar aquela criatura! Parei o carro, desci e fui la conversar.
- Ah, moça, isso pode acontecer... volta lá no mecânico que ele da uma olhada...

A essa altura do campeonato eu já estava arrancando o pêlos do c* com pinça dente de rato de tanto ódio! Vamos voltar pra merda o mecânico!
- Negão, o carro ta sem freio...
- Oh, Coração, deve ser o hidrovácuo, vamos ver.
Arruma o hidrovacuo, troca o tal do burrinho mestre, troca patins de freio, troca pastilha, troca óleo, troca tuuuudo que for relacionado a essa merda desse freio, mas faz essa bosta funcionar!!!!! E assim foi... e todos os dias eu voltava pra ficar colocando fluido de freio e bomba bomba bomba bomba o kct do pedal...




Desisto! Vou levar meu filho pra morrer em casa! E assim foi! Peguei meu Josys, terminei meu relacionando com o Negão da oficina e fui pra casa!


A vida com o Josys era sempre uma aventura, porque no dia em que você conseguia sair de casa, podia ser que você não conseguisse voltar... E, um dia, após minha mãe ser operada para retirada de cálculo renal, fui buscá-la no hospital e, por volta das 2h da manhã, estávamos chegando em casa quando a embreagem estourou e ficamos na rua...




O Josys era tão malandro que conseguia quebrar sempre em um lugar ajeitadinho onde não atrapalhasse a passagem, ou pertinho de casa, ou em frente ao mecânico... fomos para casa e no dia seguinte o guincho levou ele para Bragança para ser consertado...


Passados 2 meses, fomos buscar o bonito em Bragança na casa do meu irmão! Que emoção! Eu ia rever meu amigo! Entramos no carro, as marchas passavam loucamente e quando estávamos no meio da estrada ele simplesmente perdeu o freio. Quem precisa de freio na estrada? Afinal estamos aqui pra andar ou pra parar? As habilidades “dirigísticas” mitológicas de minha mãe nos levaram sãs e salvas para casa! Ufa! Pelo menos o Josys está em casa!


Os meses se passaram e lá íamos nós duas trabalhar todos os dias sem freio, sem dinheiro, sem documento e com muita fé de que voltaríamos para casa ao final do dia!
Então a saga dos pneus se iniciou. Sabe quando o carro fica completamente torto e não há Cristo que consigo alinhar o desgraçado? Esse era o Josys, parecia aquelas crianças raquíticas de perninhas tortas... Isso nos rendia um pneu por semana. A essa altura do campeonato eu já era praticamente uma borracheira. Já nem prendia muito bem a roda pra não ter que fazer muita força na hora de trocar de novo no dia seguinte.




Houve uma ocasião que acordamos cedo para trabalhar, aquela chuva lazarenta gelada estava caindo e a garagem em casa não é coberta. E lá fomos nós trocar o pneu... Minha mãe segurando o guarda-chuva e eu trocando o pneu... Pega chave de roda, afrouxa os parafusos, coloca o macaco, sobe, sobe, sobe, tira os parafusos, troca o pneu, coloca os parafusos de novo, aperta um pouco, baixa o macaco e eis que: o estepe estava furado... CARALHOOOOOOOOOOOO. A merda do estepe estava mais murcha que o pneu que eu havia tirado! O que fazer? Vamos colocar o pneu velho de novo e torcer pra Nossa Senhora da Borracharia abrir os caminhos até encontrarmos alguma para trocar o maldito! Tudo bem, Josys, nós conseguimos e fomos trabalhar!


A peça mais infame que Josys nos pregou foi uma bela noite de comemoração! Minha avó havia acabado a quimioterapia e a radioterapia e saímos para comemorar! Que delícia! Saímos do trabalho na Vila Mariana às 22h, pegamos a véia, colocamos no carro e fomos comer comida japonesa que ela adora!


Chegamos ao restaurante, o garçon gentilmente nos convidou a nos retirarmos devido ao adiantado da hora. Ok! Vamos a outro lugar... Todo mundo animado, afinal era a vitória da minha veínha! Saímos com o carro, e estávamos subindo a Sena Madureira e, ahhh, o Josys, que maroto... No meio da subida, a roda de trás simplesmente caiu! PUF! Sem quê nem pra quê, a roda soltou! Mas você acha que o Josys parou de andar por causa disso? Jamais!!! Chegamos ao posto de gasolina, encostamos o carro, chamamos o guincho e fomos andando em grande estilo até o Mc Donald’s 24 horas...



Ultrapassamos todas as dificuldades juntos. Josys carregou todas as festas da nossa escola, festas para 150 pessoas e o azulzinho trabalhando loucamente, fez nossa mudança, nos levava pra casa todos os dias (quando chegava). Era um lord. Não tem água? Tudo bem, vou parar aqui e não vou fundir o motor, porque eu sei que você esqueceu e vou te dar outra chance... Ahhh, acabou o óleo??? Tudo bem, eu vou ficar aqui quietinho sem ligar até você perceber o que eu estou querendo... Um menino de ouro!


O bichinho tava tão acabado já que um dia, depois de ter quebrado, meu irmão nos emprestou o carro dele para trabalharmos e, quando paramos no posto, o frentista veio dar os parabéns por finalmente termos trocado de carro...


Mas eventualmente, a “sorte” finalmente se cansou do Josys e um belo dia, voltando do trabalho ele quebrou... Minha mãe me ligou avisando que ele havia quebrado numa esquina de uma praça que era subida e não havia como tirar ele de lá... Tudo bem! Vamos te buscar amanhã, Josys! Descanse essa noite que tudo vai ficar bem!


A agonia da noite foi passando e eu não sabia como poderia buscar meu Josys, não tinha ninguém para ajudar, as pessoas que se propuseram a ajudar, não ajudaram, eu não tinha dinheiro para o guincho e só ia receber na próxima semana, eu simplesmente não sabia o que fazer. Conversei com meu vizinho mecânico que conseguiu um guincho mais barato!!!! Meu Deus! Finalmente um milagre!!!!


Liguei para o guincho para confirmar o preço, falei com meu irmão para ir confirmar o endereço de onde ele estava parado para que o guincho fosse buscá-lo e... ele já havia partido...






Meu querido amigo não estava mais lá e não havia nem uma placa da CET pedindo resgate... ele simplesmente sumiu... E esse foi o fim de meu querido amigo que levou consigo meu GPS, meus óculos de Sol, meus pneus novos trocados naquela semana, um tanque transbordando de gasolina, meu CD da Legião e uma bateria novinha... Vai com Deus, meu querido Josys, e obrigada por todas as nossas aventuras...